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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Frozen, aventura no gelo ao modo da Disney

Cinema em Casa

Frozen, um filme de animação de fantasia, é o último grande sucesso dos Estúdios Disney, ultrapassando a barreira dos mil milhões em receitas mundiais (feito difícil de alcançar na indústria cinematográfica). Para além disso o filme venceu o Óscar de Melhor Filme de Animação e de Melhor Canção Original por "Let it Go, interpretada por Idina Menzel; o Globo de Ouro por Melhor Filme de Animação; cinco Annic Awards; e dois Critics Choice Awards.

A história, inspirada no conto "The Snow White" de Hans Christian Andersen, conta a aventura épica de Anna, uma princesa destemida, que faz tudo para encontrar a irmã cujos poderes mágicos mergulharam o reimo num Inverno atroz. O filme aborda temas como os laços familiares, a amizade, o primeiro amor, a coragem e a traição, os deveres e as obrigações, magia e sacrifício.

Em pequenas, as princesas Elsa e Anna brincavam a contruir bonecos de neve com Elsa a explorar os seus poderes mágicos para divertir Anna. Mas um dia a brincadeira corre mal e Anna tem de ser levada ao Rei Troll que a cura e lhe apaga as memórias da magia da irmã, avisando que se aquilo acontecer outra vez, Anna pode morrer. O Rei e a Rainha resolvem fechar as princesas no castelo até que Elsa consiga dominar os seus poderes. Enquanto crescem, as raparigas perdem os pais e Elsa, com medo de magoar a irmã, isola-se no seu quarto causando um afastamento entre elas.

Quando Elsa atinge a maturidade deve ser coroada Rainha, mas no dia da coroação, Anna conhece o Príncipe Hans por quem se apaixona e com quem quer logo casar, mas que Elsa recusa. Numa briga entre as duas, Elsa não consegue controlar os poderes e transforma várias coisas em gelo assustando toda a gente. Assustada consigo mesma, transforma o Reino de Arendelle num reino de gelo e isola-se num castelo também de gelo no melhor momento musical do filme ao som da música "Let it Go". A partir daqui vemos Anna na busca para salvar a irmã com a ajuda da Kristoff, um rapaz que vende gelo e de um boneco de gelo, Olaf. 

Não querendo revelar mais, o filme tem uma história simples, bonita e cativante, compreendo porque é que se tornou um sucesso tão grande, que agrada a miúdos e graúdos. O que me chateia no filme é o facto de ser da Disney, ou seja, como é de esperar criaram uma história leve, com alguns momentos cómicos e om um final quase previsível. Quando soube que iam fazer uma adaptação de "Snow Queen" de Hans Christian Andersen tive esperança que fossem cirar um ambiente mais negro, triste e perigoso, com o lado mais sombrio das personagens, numa história em que estas pudessem ser melhor desenvolvidas, mas não foi nada disso que aconteceu e como é óbvio fiquei desiludida.

Contudo, é um óptimo filme para crianças e para as pessoas que gostem das adaptações da Disney, de fantasia, magia e finais felizes. As irmãs são o melhor do filme e confesso que o boneco de neve era completamente dispensável, é um comic relief chato, enquanto que o monstro do gelo é altamente (do tipo Hulk do gelo). Nota ainda para o sucesso estrondoso da música "Let it Go" que está a ser usada de várias formas para parodiar outras séries e publicidades. 

Realização: Chris Buck e Jennifer Lee
Argumento: Chris Buck, Jennifer Lee e Shane Morais
Com: Kristen Bell (Princess Anna), Idina Menzel (Princess/Queen Elsa), Jonathan Groff (Kristoff), Josh Gad (Olaf), Santino Fontana (Hans).
2013

segunda-feira, 31 de março de 2014

The Jane Austen Book Club

Cinema em Casa

The Jane Austen Book Club é uma adaptação do livro homónimo de Karen Joy Fowler de 2004 e é um filme bem conseguido. Sem ser demasiado lamechas, consegue dar a importância devida a todas as personagens e mesmo com todos os dramas pessoais de cada uma, não chega a ser demasiado pesado. O clube de leitura é composto por seis pessoas e cada uma escolhe um dos romances da autora para o debater.

O filme começa com o funeral de um dos cães da solteirona do grupo, Jocelyn (Maria Bello), que organiza o clube de leitura de Jane Austen e que nunca se deixa envolver com nenhum homem em relações demasiado sérias. Jocelyn reflecte a personagem principal de Emma (1815).

A personagem com mais conflitos interiores é Prudie (Emily Blunt), que é convidada para o clube de leitura depois de conhecer Sylvia à porta do cinema. Professora de francês num liceu, tem o seu casamento com Dean (Marc Blucas) a deteorar-se, sente-se atraída por um estudante giraço e ainda tem uma relação complicada com a mãe que é completamente alienada. Prudie é parecida com Anne Elliot de Persuasion (1818).

Sylvia (Amy Brenneman), vê o seu mundo entrar em colapso sentimental quando o marido Daniel (Jimmy Smits) e companheiro de mais de vinte anos lhe pede o divórcio para ir viver com a amante. Sylvia é modelada através da persongem Fanny Price de Mansfield Park (1814).

Allegra (Maggie Grace), a filha de Sylvia, é lésbica e uma romântica incurável que gosta de se meter em aventuras radicais e que se entrega apaixonadamente a cada relação. Allegra é muito parecida com Marianne de Sense and Sensibility (1811).

Bernadette (Kathy Baker), é a cota do grupo, a personagem mais estável, divorciada, já teve vários maridos e afirma que ainda pensa casar outra vez. Bernadette representa a Mrs. Gardiner de Pride and Prejudice (1813).

Por fim, Grigg (Hugh Dancy), é convidado para o clube de leitura de Jane Austen. Fã de ficção científica, conhece Jocelyn no edifício onde vai a uma convenção de ficção científica, sente-se atraído por ela e resolve aceitar o desafio deste clube de leitura. Apesar de não perceber que Jocelyn pretende fazer um arranjo entre ele e Sylvia, acaba por ser quem se encaixa melhor no espírito de um clube de leitura. Grigg representa todos os personagens masculinos mal-entendidos de Jane Austen.

Cada mês corresponde a um livros de Jane Austen e ao longo de seis meses vemos estas personagens analisarem as obras da autora, encontrando semelhanças com algumas personagens dos livros, criticando atitudes tomadas e estabelecendo paralelos entre os romances e as suas vidas. A evolução é gradual e não deixa de parte nenhuma pergonagem, embora as principais mudanças se verifiquem em Prudie, que passa de triste inconformada, mas super controladora, a neurótica ciumenta com uma vontade lasciva de trair o marido, até ao ponto em que tem de fazer uma escolha sobre qual o rumo que a sua vida deve tomar.

É interessante ver a evolução de cada história pessoal enquanto os romances de Jane Austen vão sendo analisados, comparando situações escritas no século XIX com dilemas pessoais em pleno século XXI. Gostei particularmente do momento em que Grigg faz uma pequena introdução à ficção científica, recomendando algumas autoras do género como Andre Norton e James Tiptree Jr. e o caso particular de Ursula Le Guin, recomendando The Left Hand of Darkness (1969) e The Lathe of Heaven (1971), duas grande obras da autora. Ele relembra que a FC não é só sobre guerras espaciais, lutas e aliens, que existem histórias bem mais profundas e interessantes que abordam questões sociais, políticas e de género.

Realização e Argumento: Robin Swicord
Com: Maria Bello (Jocelyn), Emily Blunt (Prudie), Hugh Dancy (Griig), Amy Brenneman (Sylvia), Kathy Baker (Bernadette), Maggie Grace (Allegra), Jimmy Smits (Daniel), Marc Blucas (Dean), Kevin Zegers (Trey).
2007