terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A. S. Byatt

ANTONIA SUSAN DRABBLE BYATT, mais conhecida por A. S. Byatt, nasceu em 1936 em Sheffield, Inglaterra. Byatt é irmã da também conhecida romancista Margaret Drabble e da historiadora de arte Helen Langdon.

Foi educada na Quarter School, York, no Newnham College, Cambridge, no Bryn Mawr College, Pensylvania e no Somerville College, Oxford. Deu aulas no Extra-Mural Department of London University e na Central School of Art and Design e ensinou Literatura Inglesa e Americana na University College em Londres. Em 1983 decidiu dedicar-se a tempo inteiro à escrita. Viajou bastante para fazer palestras e falar do seu trabalho e foi Presidente da Society of Authors entre 1986 e 1988. Foi membro  do Literature Advisory Panel para o British Council entre 1990 e 1998. Tem feito parte de vários painéis de prémios literários, incluindo o Booker Prize para Ficção, para além de ser uma crítica reconhecida que tem contribuído regularmente para revistas e jornais, incluindo o Time Literay SupplementThe Independent e o Sunday Times, assim como para programas de radio e de televisão da BBC. Também foi membro do Kingman Commitee on the Teaching English Language ente 1987 e 1988.

Durante muitos anos Byatt era conhecida apenas pelos seus feitos académicos. Como tal, é normal que as suas obras de ficção complexas e ambiciosas sejam bastante intelectuais e muito literárias, tanto a nível de estilo como de conteúdo. Muitas das suas personagens são escritores ou académicos que adquirem vários projectos que são regularmente uma parte central da história e as narrativas auto-conscientes chamam a atenção para o processo de criação literário e artístico. As suas histórias estão cheias de referências e alusões literárias e intertextualidade, desde os discursos de contos de fadas e literatura de fantasia, passando por teorias linguísticas e pela história literária, sobretudo na era Vitoriana (área que a autora conhece muito bem). Byatt cria personagens complexas e fascinantes em histórias com tramas empolgantes que combinam o realismo social com literalidade e simbolismo.

O primeiro romance de Byatt, Shadow of the Sun, uma história de de uma jovem rapariga a crescer sob o domínio de um pai dominante, foi publicado em 1964 e o seguinte, The Game, de 1967, era um estudo sobre a relação entre duas irmãs. Depois, escreveu um quarteto (que foi principalmente inspirado nos romances The Rainbow e Women in Love de D. H. Lawrence) onde os elementos de realismo social se interligam com alusões e referência literárias e artísticas  composto por: The Virgin in the Garden (1978) que se centra numa peça de Alexandre sobre Elizabeth I cuja performance coincide com a coroação de Elizabeth II, Still Life (1985) que explora as representações da realidade na arte e na literatura, centrando-se particularmente na obra de Van Gogh e que venceu o PEN/Macmillan Silver Pen Award, Babel Tower (1996) que examina as teorias linguísticas ao longo dos estudos de Alexander sobre os diferentes métodos de ensino, e A Whistling Woman (2002) que incorpora debates complexos sobre a natureza da mente, do corpo e do espírito. 

O seu livro com maior sucesso, Possession: A Romance (1990) venceu o Booker Prize de ficção e o Irish Times International Fiction Prize e continua a desfrutar de um enorme sucesso popular e da crítica. Parte romance, parte thriller literário, a história envolve dois académicos contemporâneos, Roland Michell e Maud  Bailey, cujas pesquisas  sobre dois poetas Vitorianos, Randolph Henry Ash e Christabel LaMotte, cujas vidas estão intimamente ligadas, assim como as dos seus pesquisadores. Possession foi adaptado ao cinema em 2002, com Gwyneth Paltrow e Aaron Eckhart nos principais papéis. Angels and Insects (1992) consiste em duas novelas, The Conjugal Angel, numa exploração das atitudes Vitorianas relativamente à morte e ao sofrimento, e Morpho Eugenia, a história de um jovem explorador Vitoriano, William Adamson, e a sua relação com a filha do seu patrão, que também foi adaptado ao cinema em 1996. O romance The Biographer's Tale (2000) é um romance complexo e labiríntico que através da  histórias de um jovem académico, compara e contrasta a natureza abstracta de teorias intelectuais e o suposto processo real e factual de escrever biografias.

As colecções de contos e ficções de Byatt incluem Sugar and Other Stories (1987); The Matisse Stories (1993), três histórias, cada uma com uma ligação em particular a um quadro de Matisse; The Djin in the Nightingale's Eye (1994), uma colecção de contos de fadas; Elementals: Stories  of Fire and Ice (1998); e Little Black Book of Stories (2003).

As suas publicações sobre criticismo incluem  livros sobre Iris Murdoch: Degrees of Freedom: The Early Novels of  Iris Murdoch (1965) e Iris Murdoch: A Critical Study (1976), assim como Wordsworth and Coleridge in Their Time (1970). Em Portraits in Fiction (2001), escreve sobre casos de quadros em romances, com exemplos de obras de Zola, Proust e Iris Murdoch. Em 1990 recebeu um CBE, em 1999 um DBE e em 2002 recebeu o Shakespeare Prize pela Fundação Alfred  Toepfer, em Hamburgo como reconhecimento pela sua contribuição para a cultura britânica.

Mais recentemente publicou The Children's Book (2009) que venceu o James Tait Black Memorial Prize e chegou a estar na lista para o Booker Prize. O livro segue as vidas de várias personagens da família Wellwood durante o período Eduardiano, com inicio em 1895 até ao fim da Primeira Guerra Mundial. é uma crítica ao livros para crianças que não são realmente para crianças devido aos conteúdos pesados e complexos que muitos abordam e é um retrato fiel da época a nível histórico e de costumes, onde são mencionados escritores e artistas ou figuras importantes muito conhecidos na época. É uma obra de realismo social e psicológico, que também tem temas de contos de fadas, como duplos, trocas, quartos trancados, viagens ao submundo e rapazes que se recusam a crescer.  Byatt teve influências de Henry James e George Eliot, assim como de Emily Dickinson, T. S. Eliot e Robert Browning ao misturar o realismo e o naturalismo com a fantasia. O seu último livro é Ragnarök: The End of the Gods (2012) sobre uma jovem rapariga que, depois de ser evacuada recentemente para o campo em Inglaterra e com a Segunda Guerra Mundial a estoirar à sua volta, luta para que a sua vida tenha sentido. Depois, é-lhe dado um livro sobre as antigas lendas Nórdicas e tanto o seu mundo interior como o mundo à sua volta se transformam. O livros tem características autobiográficas.

Romances e Contos
The Shadow of the Sun, 1964
The Game, 1967
The Virgin in the Garden, 1978
Still Life, 1985
Sugar and Other Stories, 1987 (Contos)
Possession: A Romance, 1990
Angels and Insects, 1992
The Matisse Stories, 1993 (Contos)
The Djinn in the Nightingale's Eye. 1994 (Contos)
Babel Tower, 1997 (Contos)
Elementals: Stories  of Fire and Ice (1998) (Contos)
The Biografer's Tale, 2000
The Bird Hand Book, 2001
A Wistling Woman, 2002
Little Black Book of Stories, 2003 (Contos)
The Children's Book, 2009
Ragnarok: The End og the Gods, 2011

Outros
Degrees of  Freedom: The Novel of Iris Murdoch, 1965
Unruly Times: Wordsworth and Coleridge in their time, 1970
George Eliot: Selected Essays, Poems and Other Writing, 1990
Passions of the MInd: Selected Writings, 1991
Imagining Characters: six conversations about women writers, 1995
On Histories and Stories: Selected Essays, 2000
Portraits in Fiction, 2001

Traduzido em Português
Possessão: Um romance, 1991
O Caixão de Vidro, 1997 (Contos)
A Fábula do Biografo, 2003

Sobre A. S. Byatt
Do Romance Vitoriano ao Romance Pós-moderno: A Reescrita do Feminino em A. S. Byatt. Margarida Esteves Pereira. Clube de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho. Colecção Poliedro.

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